As pessoas tentam me confortar. Dizem que é bobagem o que eu digo. Que não tem nada haver. Como não? Eu posso até ser meio louca desvairada às vezes, só que esse é meu jeito. Agora o que digo, convenhamos não passa de uma mera realidade. Trágica, porém é uma realidade. Conformei-me já, as esperanças de algum tempo atrás se evaporaram que nem água em ebulição. Foi um longo cigarro a se tragar, mas chegou ao seu fim, e nem um resquício de fumaça sequer sobrou. Resolvi apenas conformar-me com o fato de que o maço havia acabado e que dinheiro pra comprar outro eu não tinha. Em outras palavras mais cotidianas, sem sentido figurado algum, a esperança havia se esvaído. Desisti, entende? Em verdade mesmo cansei. De procurar por ai alguém que me merecesse, pois acabei me dando conta de que quem não merece ninguém sou eu. Finalmente parei pra olhar-me no espelho. Cena grotesca foi aquela que o reflexo me mostrou. Não vi apenas o externo, enxerguei o interno, e tive a certeza de que a beleza externa anulava-se facilmente com aquele show de horrores que era meu interior. Eu não merecia alguém ao meu lado, não mesmo. No lugar do coração eu tinha uma pedra gigante de gelo, e esta escondia, em seu lado interno, cacos do que um dia fora realmente um coração vitalício. Também enxerguei o orgulho quase que se projetando para fora do meu corpo, até mesmo pelo fato de ter vida própria. Vi a dor tentando dominar o sorriso em meu rosto e fazer as lágrimas caírem. Nesse mesmo momento vi que o medo de expor as dores tomou por sua vez decisões, e acrescentou mais cimento ao muro que havia construído em volta dos meus sentimentos, para deixá-los mais resistes barrando assim, ainda mais os sentimentos que queriam se mostrar. De repente aquela compreensão repentina de tudo foi dando-me um nojo. Um nojo próprio, daquilo que eu era. Como alguém podia deixar ser dominada por tudo isso? Senti-me tão vulnerável. Percebi pela primeira vez que o que eu achava estar dominando passara a ter controle de mim. E a cega aqui não notara isso. Entendi então de onde vinha tanta frieza. Odiei-me por isso. Eu não queria ser aquilo, mas o era. Definitivamente eu não mereço ninguém ao meu lado. Não mereço que segurem a minha mãe para passar confiança. Não mereço que me abracem quando eu estiver triste. Não mereço que me amem, pois, por causa do medo que tenho de ser machucada, eu vou acabar machucando esse alguém. Eu não mereço alguém que me faça feliz pelo simples fato de que nem eu mesma consigo me fazer feliz. Não consigo ser uma pessoa melhor. Se não consigo fazer nem eu mesma feliz, como fazer conseguir o feitio de arrancar sorrisos de outra pessoa? Realmente, eu não mereço ninguém. Sinto que sou aquele chiclete barato que perde o gosto em questão de minutos, sem valor e sem proveito algum. Inútil. Em suma, eu, sinceramente no meu ver, não mereço absolutamente nada. (d-esmoronar)
(Source: charmin-g)
(Source: saidecima)
(Source: realidade-paralela)
(Source: NOFINALDATARDE)
Lully